Jess está dando uma volta, precisa sair de casa e andar um pouco, essa opção parece melhor do que ficar trancado em casa de mente vazia...
Todos na rua estão tristes cabisbaixo, ou chorando. Esse é um mundo em preto e branco. Não há uma pessoa na rua que demonstre um esboço de alegria, a não ser ao ver Jess.
Cada pessoa que vê Jess se anima, e se aproxima para conversar com ele. Jess conta de seus problemas, Jess é tão triste como cada pacato cidadão, porem Jess é colorido, a cada história triste de sua vida, as pessoas ficam animadas, sorriem quando Jess está contando suas histórias, gargalham, algumas entram até em histeria. Jess volta para casa cabisbaixo!
Não é a primeira vez que isso acontece, na verdade, Jess está mais do que familiarizado com esse tipo de reação das pessoas ao o avistarem, e ao ouvir suas histórias tristes. Jess vai ao espelho, fixa bem o olhar em seu reflexo, e mais uma vez odeia ter nascido da forma que nasceu. Por mais triste que Jess esteja, seu rosto sempre carrega o melhor dos sorrisos. Jess considera essa anomalia uma maldição. Cada palavra triste que sai da boca de Jess, chega como as mais bonitas palavras nos ouvidos das outras pessoas, cada história triste que Jess conta, se torna a mais engraçada das piadas! Jess nunca pode compartilhar seus problemas, só pode espalhar alegria há civilização triste da qual faz parte.
Faz mal e ele, faz bem ao mundo!
Jess decide nunca mais sair de casa. Já que o mundo não consegue perceber sua tristeza, Jess não quer compartilhar alegria, se tranca em seu quarto, fica no escuro, com tudo apagado, chora, e grita o mais alto que sua voz possa alcançar de que odeia ter nascido assim! Adormece inconsolável...
No outro dia de manhã, Jess acorda, vai ao banheiro, e ao se olhar no espelho, toma um susto, o melhor dos sustos. Jess não está mais carregando aquele sorriso, Jess não é mais colorido, Jess agora faz parte desse mundo cinza, Jess está com a expressão de tristeza, a sombria forma triste que tanto sonhou, agora está com ele, Jess agradece, Jess saí há rua para enfim conseguir compartilhar sua tristeza, e suas histórias.
Mas quando Jess saí de sua casa, toma um outro susto... O mundo não está mais preto e branco, cinza, o mundo está colorido, com as cores cheias de vida, assim como ele foi um dia. As pessoas estão sorrindo, estão cheias de alegria, Jess é a única pessoa sem cor nesse mundo, mas ele não se importa, ele enfim irá compartilhar suas histórias de verdade. Parti em velocidade para a pessoa mais próxima.
Ao Jess contar sua história, aquela pessoa que antes estava feliz, cheia de vida, fica triste, e saí andando desanimada. Jess fica impressionado, pela primeira vez uma pessoa ouviu suas verdadeiras histórias, mas saiu destruída. Jess segue o dia contando suas histórias para pessoas diferentes, e percebe que a cada história ele causa um estrago. Não era isso que Jess queria, Jess só queria poder falar de sua tristeza, porem a cada vez que faz isso contamina o mundo, Jess tenta se animar, e entrar naquele mundo cheio de vida, porem mesmo feliz, a cada história alegre que Jess conta, as pessoas ouvem histórias tristes, a cada piada que conta, as pessoas escutam as piores das tragédias, e Jess não consegue reverter isso! Jess nunca poderá espalhar suas histórias alegres, não poderá espalhar sua alegria, só espalhar tristeza há civilização feliz da qual faz parte.
Faz mal a ele, faz mal ao mundo!
Autor: Wyllyan Soares

